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Comecei meu envolvimento com música quando tinha uns 11 anos de idade. Um belo dia ouvi, por acaso, o concerto em lá menor para piano e orquestra de Schumann (um dos maiores compositores alemães do séc. XIX - período Romântico da Música Ocidental), o que me chocou bastante. Como agem geralmente as pessoas quando ouvem uma música "clássica", minha primeira impressão foi a famosa "pô, que bonito" e tal. Na verdade, na maioria dos casos, ninguém achou coisa alguma da música, mas, pra não fazer feio, dizem que gostaram etc. Não fugindo à regra agi da mesma forma, mas a questão é que fui um pouco mais longe. Não sei porque motivo fiquei ouvindo e ouvindo a fita com o concerto sem parar, todo dia.
E eis que aconteceu aquele estalo. De repente me dei conta da grandiosidade daquela obra, da beleza profunda que está por trás dessas músicas a princípio tão distantes de nós, tão trabalhosas de ouvir. E ter me dado conta da existência do Belo transformou minha vida. Prometi a mim mesmo que tocaria o Concerto de Schumann algum dia, de qualquer maneira. Comecei a estudar Música sozinho, ficava compondo músicas para piano, para trio (piano violino e violoncelo), para orquestra, para piano e orquestra... Eu era muito sonhador... É claro que muita coisa que eu escrevia, a maior parte, estava errada, pois nunca tinha tido aulas, mas foi aí que comecei um relacionamento mais íntimo com Ela.
Foi então que dia 5 de agosto de 1988, pouco antes de fazer 13 anos (23 de outubro) tive minha primeira aula de piano. A partir daí oficializou-se aquilo que sempre foi tido como certo: minha vida seria trabalhar com Música, aprovassem os outros ou não.
Depois de vários anos só lidando com música erudita, enfim me aparece o João Henrique, meu amigo de infância que tinha começado a tocar bateria há uns dois anos (nos conhecemos desde antes de sonharmos em tocar algum instrumento), e me mostra a sua mais nova aquisição fonográfica, um disco de uma banda desconhecida chamada Dream Theater. O nome do disco: Images&Words. A princípio não achei nada demais, pra falar a verdade não gostei nem um pouco. Conseguindo o disco emprestado, ouvi muitas vezes em casa, com fone de ouvido, lendo as letras... E eis que acontece um novo estalo na minha vida. Fiquei viciado naquele disco, nunca imaginei que fosse gostar tanto daquele tipo de música (só conhecia um pouco de RUSH). Isso devia ser em meados de 1994 e o João já estava tocando numa banda chamada Sigma 5. Aliás eu presenciei, por puro acaso, o primeiro ensaio dele com o 5igma. Eu vi com meus própios olhos os caras tocarem YYZ, Spirit of Radio, La Villa Stragiato (todas do RUSH) sem nunca terem se visto antes. Foi muito bom!!! Impressionante o entrosamento que ele tinha com aqueles caras estranhos (Maurício, André e JotaC). Tocaram também Van Halen, Iron, Satriani... Muita coisa! Parecia que já tocavam há muito tempo juntos. Sintonia à primeira vista!
Depois de alguns meses, no finalzinho de 1994, o João me chamou pra assistir a um ensaio do Sigma 5, pois parecia que eles estavam precisando de tecladista (eu só não sabia o que que eu tinha ver com isso). Quando me dei conta eu estava no ensaio do 5igma com um teclado na minha frente e fiquei me perguntando que diabos estava fazendo ali com aquela aparelhagem desconhecida (eu não tinha a menor idéia do que fazer, era até engraçado). E foi assim, meio que sem nem perceber, que me vi tocando numa banda de rock. O som que eles faziam era meio pop-rock (uma mistura de Van Halen com Roupa Nova... Hehehe...) e minha entrada coincidiu com uma mudança de estilo da banda. Fizemos três músicas novas - Eu sou do Rio, Strix e Sigma5 - e uma reformulação de uma canção antiga deles - Matar ou Morrer. Feito isso, entramos em estúdio para gravar a primeira demo logo nos primeiros meses de 1995, data que consideramos ser a data de fundação da banda. Fiquei em completo desespero dentro do estúdio ao ver o play/rec ligado esperando minha execução. Essas coisas, pra quem é pianista, são muito estranhas. :-)
Mas acabei me acostumando a tocar teclado. Nos primeiros shows eu ficava todo parado, meio tímido (pianista geralmente é assim mesmo), mas aos poucos fui me soltando e hoje me sinto outra pessoa sobre o palco. E o interessante é que isso tudo afetou o modo como eu toco piano. Agora me sinto mais livre pra tocar, seja piano ou teclado, e foi essa vivência com a banda que me trouxe isso.
Desde então cresci muito como músico tocando no Sigma 5. Demos muitos shows por aí divulgando nosso primeiro disco (Initium), ensaiamos quase que religiosamente todos os domingos, e aprendi muito com todos eles, pois são grandes músicos e tornaram-se grandes amigos meus, praticamente irmãos.
Uma prova desse crescimento meu é o novo disco, Busca. Tenho muito mais participação neste disco, tanto em nível de presença de teclados nas músicas como em nível de composição. Vários momentos do disco surgiram de idéias minhas, bem como a música Ponto Zero. Estou satisfeitíssimo com minha produção na banda e cada vez mais estimulado a seguir com o trabalho e ir cada vez mais longe.
O Sigma 5 agora está vivendo uma nova fase, uma maturidade musical que faz com que tudo que a gente faça nos dê grande prazer. Tem muita coisa mesmo vindo por aí e com o Busca finalmente tendo sido lançado vamos cair na estrada de novo. Estou muito feliz com nosso momento.
As idéias e viagens musicais continuam... Mal posso esperar pra começar o trabalho de criação de novo!! Mas agora é hora do Busca. Vamos levá-lo até onde ele merece ir. E isso é muito longe.
Meu setup atual é:
- ROLAND A-30 MIDI Controller;
- KORG TR Rack;
- YAMAHA TX81Z FM TONE GENERATOR (DX-7 II);
- ALESIS Microverb 4;
- YAMAHA SY-77;
- ROLAND Mixer - 4 canais.
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